sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Controle

Há muitas coisas que queremos calar. São sensações que não conseguimos descrever com palavras, nem exprimir por meio do olhar. Contudo, tentamos esquecê-las de algum modo, e a minha saída é escrever. Escrevo no papel, no vidro embaçado, no ar, no céu, na imaginação. Gosto de escrever, pois me absolvo de lembranças que considero negativas e que têm o poder de atrair más energias. Escrevo nas pessoas; e com elas também. Faço uma narrativa longa, se eu tiver tempo e oportunidade. Não meço esforços.
Enquanto ouço música, escrevo. É o meu passatempo preferido e quem lê supõe que eu seja maluca. Sei que não é possível fazer duas atividades ao mesmo tempo, mas é a minha singularidade que exige, faço instintivamente. Se sou louca ou não, escrever ao som de alguma melodia me é relaxante, tal como dar ares musicais às minhas palavras por ora tão vazias de significação.
O rosto de alguém se projeta abstratamente diante de mim, quero estar desse jeito por um tempo: na incessante escrita, depurando meus pensamentos ao som de uma música ao fundo, além de ter que contemplar essa face. Que olhos lindos você tem. Que sorriso cativante. Vou te expor, ainda que anonimamente, neste pedaço pessoal.
Agora que joguei a realidade particular, o semblante perde a nitidez e o contorno começa a se dispersar e eu não tenho controle de nada. Só deixo. Quem sabe mais à noite ele volte. Quem sabe amanhã. Quem sabe. Era apenas um instante de observação, de realização íntima que foi declarada a um público. Faltou discrição e limite, mas escrever nada mais é do que deixar ser. E foi.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Motivo


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Cecília Meireles

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Uma única pessoa

- Nossa, mãe, muito obrigado! De novo todo mundo vai no cinema e eu não. Graças a você!
- Eu tenho meus motivos, os quais você apenas no futuro entenderá!
- Sabe o quê? Vou dormir.
E assim Jonas encerrou a discussão com a sua mãe. Trancou-se em seu quarto e deitou com o rosto virado para seu travesseiro, impedindo as lágrimas de escorrerem por seu rosto.
Cinco minutos passaram-se e por fim caiu no sono. Um sono calmo. Como se seu espírito tivesse deixado o seu corpo, que estava tomado de raiva e euforia.
Em seu sonho imaginou-se em um mundo completamente igual. Saiu com seus amigos, foi tomar sorvete, foi para a escola, até o momento que sentiu falta de uma coisa: sua mãe. Nem ligou para sua falta até a hora que a fome bateu, machucou-se, e não tinha mais roupas. Sentiu-se vulnerável nesse mundo tão grande, e percebeu a importância que uma única pessoa faz no mundo. 
Quando não aguentava mais viver naquela situação, escutou ao fundo um som que veio se intensificando cada vez mais. Era seu celular avisando que era hora de ir para a escola.

Por: Pedro Victor Pereira.

domingo, 25 de maio de 2014

Antônimo

Parece mentira, mas os depoimentos de saudade sendo atualizados na página da rede social de alguém que deixou de ser substância não cessam. Eu sempre achei que deveria haver algum tipo de critério para as decisões, quaisquer que sejam, mínimas e particulares ou de grande notoriedade. A Morte não compartilha dessa mesma opinião, ela não se importa com quase nada, apenas cumpre seu encargo.
Isso significa que a respeito de os sorrisos esboçados terem sido suficientes ou de as rugas apontarem como uma demonstração física da experiência, as avaliações serão todas nulas. A Morte não averigua se os sonhos que emanam da mente humana estão no processo de realização. Desconsidera qualquer desejo, até mesmo o que a chama; e chega apenas no seu horário. Determinada, ela nutre grande desprezo pelas negociações.
Antônimo do nascimento, inquieta os vivos e faz com que um aglomerado de bocas comece a tagarelar frases avulsas em razão da viagem inesperada daquele que se calou. Seu maior defeito é a teimosia: quando cisma em ter determinado comparecimento, seja ele coletivo ou individual, tem-no presente. Como qualidade, a Morte possui um misto de força e obediência, pois não pesa a carga que precisa transportar. Às vezes, ela dá sorte e leva corpos minúsculos, mas nunca reclama se eles são pesados. Um trabalho árduo, um fardo só dela.
Calada, ela leva consigo muitos seguidores à força e, por causa disso, é temida por aqueles que conseguiram resistir aos encantos de sua feição cansada e paciente. Ela sabe que alguma hora eles a acompanharão, adianta discutir? Mesmo que a Vida acabe sendo considerada como uma adversária aos olhos equivocados, a estabilidade da Morte se comprova no momento em que há o acordo entre as duas, possivelmente resultando em aquela esvaziar-se e perder-se nos braços desta.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Praia de lamentações

Em um dia normal, Chavier Delaplata, um homem comum, sofria um amor platônico por Paola Hernandes, uma magnífica donzela que gostava de comer jabuticaba. Em um belo dia, Chavier Delaplata convidou Paola Hernandes para um passeio na praia de Acapulco.
Chavier Delaplata preparou uma surpresa para Paola Hernandes: uma refeição baseada em frutos do mar, churros, frutos e sanduíche de presunto.
Paola Hernandes: Oh, Chavier Delaplata, que surpresa encantadora!
Chavier Delaplata: Não foi nada, Paola Hernandes.
Paola Hernandes: O que posso fazer para recompensá-lo?
Passou pela cabeça de Chavier Delaplata vários pensamentos libidinosos e então uma simples resposta foi dita:
Chavier Delaplata: Um sorriso em sua face encantadora já basta, Paola Hernandes.
Paola Hernandes: Chavier Delaplata, você trouxe jabuticaba?
Chavier Delaplata: Deixe-me ver...
Paola Hernandes: Adoro jabuticabas, Chavier Delaplata...
Chavier Delaplata: Paola Hernandes, houve um pequeno imprevisto: não existem jabuticabas no México.
Paola Hernandes: Mas, Chavier Delaplata, existem em Tangamandápio!
Chavier Delaplata: Sim, mas só um verdadeiro Tangamandapiano sabe quais são as melhores.
Paola Hernandes: Não interessa! Está tudo acabado entre nós.
Chavier Delaplata: Mas...
Paola Hernandes: Não me importa o quanto a Gaivota é rebelde ou como a Paola Bracho é usurpadora, está tudo acabado entre nós, Chavier Delaplata.
Chavier Delaplata: Então embarque nesse carrossel.
Paola Hernandes: Não! Devemos ter cuidado com o anjo.
Chavier Delaplata: Mas se ainda resta uma gotinha de amor ou ainda um canavial de paixões, apenas Kassandra poderá nos dizer.
Paola Hernandes: Mas os Ricos também choram, Chavier Delaplata, pois todos temos o direito de nascer, viver, amar, morrer...
Chavier Delaplata: Então fugirei para o mar para não ter que me casar com Maria Mercedes, a feia mais Bela de sua família, Paola Hernandes.
Paola Hernandes: Mas me prometa uma coisa, Chavier Delaplata: se um dia você retornar do mar, não case com Rosalinda, Maria do Bairro, Rubi. Não se engane com aquelas carinhas de anjo, pois As tontas não vão ao céu.
Chavier Delaplata: Não posso mandar no destino, Paola Hernandes.
Paola Hernandes: Chispita e Mariana da noite não te merecem, Chavier Delaplata, pois apesar de Alegrifes e Rabujos, só nós dois temos o Privilégio de Amar.
Chavier Delaplata: Pois assim mesmo fugirei e talvez encontrarei Marimar e seremos Cúmplices de um resgate.
Paola Hernandes: Não! Você não pode fazer isso comigo, Chavier.
Chavier Delaplata: Já não podemos continuar juntos, Paola Hernandes, estou padecendo por amor, mas não podemos ficar juntos.
Paola Hernandes: Por quê, Chavier?
Chavier Delaplata: Descobri que somos irmãos!
Paola Hernandes: Mas como, Chavier? Quem lhe falou tamanha blasfêmia? Cometemos um incesto?
Chavier Delaplata: A Gaivota me contou!
Paola Hernandes: Não pode ser, me apaixonei pelo meu próprio irmão. Não sou digna de habitar essa terra.
Então Paola Hernandes cravou uma adaga em seu coração...
Chavier Delaplata: Não, eu estava apenas brincando... Existem jabuticabas no México. Agora é tarde demais, ficarei aqui até meus últimos dias.
Chavier Delaplata permaneceu ali até que sua vida viesse a terminar. O mar fez o corpo de Chavier ser carregado até suas profundezas e ele pôde descansar em paz ao lado de sua amada.

Por: Felipe Padilha (2013)

Atração

Eu cansei. Simplesmente deixo o tempo andar sozinho sem que eu precise andar ao seu lado. Nunca fomos amigos, nem tivemos muita compatibilidade. Meu nome é atraso. Prefiro chegar depois, rir depois, pensar depois, me locomovo devagar, sem pressa alguma. Carrego as ideias nas costas, elas pesam, essa é a razão de não correr. Se eu acelerar os meus passos, quando eu as proferir, elas podem ser consideradas ininteligíveis e minha presença talvez nem seja notada.
Há quem prefira contar os minutos, demarcar as atividades e ser sistemático. Contudo, a certeza da condução das ideias ser segura é abalada. As costas não conseguem acompanhar os pés, a cabeça deixa de produzir e pende para a frente, fazendo as ideias, os processos e a estima caírem. Ser ligeiro exige capacidade e nem todos possuem a franqueza de admitir sua ausência, pois querem provar a si mesmos que conseguem um título de notoriedade até o fim do ano. 
Estendo o prazo, sou mais paciente. Se sou jovem, preciso estudar, se velho, descanso. Desfragmento-me para compor um outro eu. Não quero seguir as linhas lógicas do que é considerado atual, pois um dia ele vai se tornar obsoleto também e acabarei me cansando da mesma maneira. Assim, tornar-me-ei velha do lado interior, apenas eu saberei das minhas limitações e, ao passo que tento demonstrar o contrário, desgasto-me.
Dispenso qualquer rotulação. Antes de andar no mesmo compasso que eu, pergunte-me a que lugar desejo chegar. Possivelmente após a resposta, tuas pernas se petrifiquem, teus olhos não consigam piscar e tua garganta se seque. Aí você vai ouvir o ruído ao longe dos carros que correm na estrada, das árvores que balançam as folhas umas com as outras violentamente. Só assim, olhará para trás e verá que se distraiu conversando comigo. Decida-se antes de ser atraído por palavras, elas se desmancham no ar, são abstratas e, em sua maioria, atemporais; por isso, me atraem.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

18 Verdades cruéis sobre os relacionamentos modernos que você vai ter que encarar

1. Quem que se importa menos tem todo o poder. Ninguém quer ser “a pessoa mais interessada” da relação.
2. Porque nós sempre queremos mostrar para a outra pessoa o quão blasé nós podemos ser, joguinhos psicológicos como ‘Intencionalmente Levar Horas Ou Dias Para Responder Uma Mensagem’ vão acontecer. Eles não são divertidos.
3. Uma pessoa sendo desapegada porque tem zero interesse em você parece exatamente igual a uma pessoa sendo desapegada porque acha você incrível and está fazendo um esforço consciente para fingir que não está nem ai. Boa sorte tentando descobrir quem é quem.
4. Ligações telefônicas são uma arte em decadência. Muito provavelmente, grande parte da comunicação do seu relacionamento vai acontecer por texto, que é a forma de interação mais desapegada e impessoal que existe. Já pode ir criando intimidade com as opções de emoticon.
5. Planos com antecedência estão mortos. As pessoas tem opções e atualizações de última hora da localização dos seus amigos (ou outros potenciais romances) graças as mensagens e as redes sociais. Se você não é a prioridade, você vai ouvir um “Talvez” ou “A gente se fala” como resposta para o seu convite para uma saída e o(s) fator(es) decisivo(s) serão se a pessoa recebeu ou não ofertas mais divertidas/interessantes que você.
6. Aquele alguém que te magoou não vai automaticamente ter um karma ruim. Pelo menos não em um futuro imediato. Eu sei que parece nada menos que justo, mas às vezes as pessoas enganam e traem e continuam suas vidas alegremente enquanto a pessoa que eles deixaram para trás está em frangalhos.
7. A única diferença entre as suas ações serem consideradas românticas ou assustadoras  é o quão atraente a outra pessoa te acha. É isso, isso é tudo.
8. “Topa sair?” e “Vamos fazer alguma?” são frases vagas que provavelmente significam “vamos nos pegar” – e enquanto você provavelmente odeia receber uma dessas, elas são o jeito mais comum de convidar alguém pra passar algum tempo com você hoje em dia, e aparentemente elas chegaram pra ficar.
9. Algumas pessoas só querem te pegar e se você está procurando mais do que sexo, eles não vão te falar “Alow, acho que eu sou a pessoa errada pra você”. Pelo menos não antes de você liberar o tindolelê. Enquanto a decência humana é o ideal, a honestidade não é obrigatória.
10. A mensagem que você mandou chegou. Se ele não respondeu, pode ter certeza que não foi por causa do mau funcionamento das operadoras de celular.
11. Tantas pessoas tem medo de compromisso e de estar sério com alguém que continuam um relacionamento não-definido, que acaba confundindo as coisas e só funciona até não funcionar mais. Eu já disse várias vezes, e vou dizer de novo – “nós somos só amigos” é abrir a porta para uma traição que tecnicamente não era traição porque, hey, vocês não estavam juntos juntos.
12. As mídias sociais criam novas tentações e oportunidades para trair. As mensagens por inbox e opções para um flerte sutil (ex. curtir a foto alheia) não servem como desculpa ou prova de uma traição, mas eles certamente aumentam as chances disso acontecer.
13. Mídias sociais também podem criam a ilusão de que você tem opções, o que leva as pessoas a verem o Facebook como um menu de pessoas atraentes ao invés de um meio de manter contato com o s amigos e a família.
14. Você provavelmente não vai ver muito da personalidade genuína e sem filtros de alguém até que vocês estejam em um relacionamento. Geralmente as pessoas tem medo de mostrar como realmente são e parecerem disponíveis demais, ansiosos de mais, nerds demais, bonzinhos demais, seguros demais, não engraçados o suficiente, não bonitos o suficiente, não alguma outra pessoa o suficiente para serem acolhidos.
15.  Qualquer pessoa com quem você se envolver romanticamente, ou vocês vão ficar juntos para sempre, ou vão acabar terminando em algum momento. E ambos são conceitos são igualmente assustadores.
16. Quando vocês estiverem namorando, ao invés de expressar como se sente diretamente para você, é mais provável que a pessoa publique isso no status do Facebook ou Instagram, uma foto tipo Tumblr, de um por-do-sol com uma frase ou trecho de música com as palavras de outra pessoa, e enquanto pode nem mencionar seu nome, é claramente para você.
17. Tem muitas pessoas quem tem zero respeito pelo seu relacionamento e se eles quiserem a pessoa com quem você está, não terão escrúpulos na tentativa de ultrapassar os limites para conseguir conquistar a vítima. Girl Code e guy code são ilusões e código humano não é incorporado em todos.
18. Se você tomar um fora, provavelmente vai ser bem brutal. As pessoas podem cortar laços pelo telefone e evitar ter que ver as lágrimas rolando pelo seu rosto ou terminar tudo por mensagem e evitar ouvir a dor na sua voz e o seu nariz escorrendo. Envie um texto longo e voilá, o relacionamento acabou. O caminho mais fácil está longe de ser o mais atencioso.

Disponível em: http://relatosdeumadiva.wordpress.com/2014/04/11/18-verdades-crueis-sobre-os-relacionamentos-modernos-que-voce-vai-ter-que-encarar/